Iona Oliveira – The death and live of a Severino

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Iona Oliveira – Associate Dean, Bachelor in CommunicationsIE University.

Reading:

The death and live of a Severino (Morte e vida Severina) (Excerpt) by João Cabral de Melo Neto (1954-55).

 

—My name is Severino,

I have no Christian name.

There are lots of Severinos

a saint of pilgrimages

so they began to call me

Maria’s Severino.

There are lots of Severinos

with mothers called Maria,

so I became Maria’s

of Zacarias, deceased.
But still this doesn’t tell much:

there are many in the parish
because of a certain colonel*

whose name was Zacarias

who was the very earliest

senhor of this region.

Then how explain who’s speaking

to Your Excellencies?

Let’s see: the Severino

of Maria of Zacarias,

from the Mountain of the Rib,

at the end of Paraiba.

But still this doesn’t mean much.

There were at least five more

living on the same thin,

bony mountain where I lived.

There are lots of Severinos;

we are exactly alike

exactly the same big head

that’s hard to balance properly,

the same swollen belly

on the same skinny legs,

alike because the blood

we use has little color.

And if we Severinos

are all the same in life,

we die the same death,

the same Severino death.

—O meu nome é Severino,

não tenho outro de pia.

Como há muitos Severinos,

que é santo de romaria,

deram então de me chamar

Severino de Maria;

como há muitos Severinos

com mães chamadas Maria,

fiquei sendo o da Maria

do finado Zacarias.

Mas isso ainda diz pouco:

há muitos na freguesia,

por causa de um coronel

que se chamou Zacarias

e que foi o mais antigo

senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem fala

ora a Vossas Senhorias?

Vejamos: é o Severino

da Maria do Zacarias,

lá da serra da Costela,

limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:

se ao menos mais cinco havia

vivendo na mesma serra

magra e ossuda em que eu vivia,

Somos muitos Severinos

iguais em tudo na vida:

na mesma cabeça grande

que a custo é que se equilibra,

no mesmo ventre crescido

sobre as mesmas pernas finas,

e iguais também porque o sangue

que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos

iguais em tudo na vida,

morremos de morte igual,

mesma morte severina.

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